sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Exercícios com D3 - Inferir o sentido de uma palavra ou expressão.

Exercícios com D3 - Inferir o sentido de uma palavra ou expressão.



(SAERO). Leia o texto abaixo e responda.
Doce bem salgado
Em restaurantes finos, sobremesas comuns têm preço de prato principal.
Foram-se os tempos em que quem pagava a conta no restaurante se preocupava apenas com o preço do prato principal e da bebida. Agora, em casas elegantes do Rio de Janeiro e de São Paulo, os doces podem ser a parte mais salgada da notinha. E não se está falando, necessariamente, de sobremesas sofisticadas ou criações originais dos chefs. Uma torta de morango do Massimo, em São Paulo, abocanha 17 reais do cliente. Só para fazer uma comparação que os donos de restaurante detestam: com esse dinheiro é possível comprar onze caixas da fruta, com 330 moranguinhos. Ou um filé com fritas num restaurante médio.
No Le Champs Elisées, no Rio, uma torta de maçã sai por 15 reais, mesmo preço da torta de figo do Le Saint Honoré. “Nossos doces são elaborados e não estão na geladeira há dois dias, como os de outros lugares”, justifica o chef Alain Raymond, do Champs Elisées.
Disponível em: . Acesso em: 25 mar. 2010.

No trecho “... os doces podem ser a parte mais salgada da notinha.” (ℓ. 7-8), a expressão em destaque foi utilizada no intuito de
A) comparar os restaurantes.
B) contradizer os chefs.
C) dar clareza ao texto.
D) enfatizar a ideia anterior.
E) ironizar o preço dos doces.

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(SAEPE). Leia o texto abaixo e responda.






Disponível em: .
 Acesso em: 26 jun. 2010.

No último quadrinho, a expressão “Bah!” revela que a menina ficou
A) aborrecida.
B) desolada.
C) enojada.
D) indiferente.
E) triste.

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(SAEPE). Leia o texto abaixo e responda.
Deus sabe o que faz!
A ilustre dama, ao fim de dois meses, achou-se a mais desgraçada das mulheres; caiu em profunda melancolia, ficou amarela, magra, comia pouco e suspirava a cada canto. Não ousava fazer-lhe nenhuma queixa ou reprove, porque respeitava nele o seu marido e senhor, mas padecia calada, e definhava a olhos vistos. Um dia, ao jantar, como lhe perguntasse o marido o que é que tinha, respondeu tristemente que nada; depois atreveu-se um pouco, e foi ao ponto de dizer que se considerava tão viúva como dantes. E acrescentou:
– Quem diria nunca que meia dúzia de lunáticos...
Não acabou a frase; ou antes, acabou-a levantando os olhos ao teto – os olhos, que eram a sua feição mais insinuante – negros, grandes, lavados de uma luz úmida, como os da aurora. Quanto ao gesto, era o mesmo que empregara no dia em que Simão Bacamarte a pediu em casamento. [...]
– Consinto que vás dar um passeio ao Rio de Janeiro.
D. Evarista sentiu faltar-lhe o chão debaixo dos pés. [...] Ver o Rio de Janeiro, para ela, equivalia ao sonho do hebreu cativo. [...]
– Oh! mas o dinheiro que será preciso gastar! Suspirou D. Evarista sem convicção.
– Que importa? Temos ganho muito, disse o marido. Ainda ontem o escriturário prestou-me contas. Queres ver?
E levou-a aos livros. D. Evarista ficou deslumbrada. Era um via-láctea de algarismos.
E depois levou-a às arcas, onde estava o dinheiro. Deus! eram montes de ouro, eram mil cruzados sobre mil cruzados, dobrões sobre dobrões; era a opulência. Enquanto ela comia o ouro com os seus olhos negros, o alienista* fitava-a, e dizia-lhe ao ouvido com a mais pérfida das alusões:
– Quem diria que meia dúzia de lunáticos...
* médico especialista em doenças mentais.
ASSIS, Machado de. Papéis avulsos. São Paulo: Escala Educacional, 2008. Fragmento.

O termo destacado em “Era uma via-láctea de algarismos.” (ℓ. 33) assume, nesse texto, o sentido de
A) beleza.
B) disposição.
C) luminosidade.
D) organização.
E) quantidade.

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(SAEPE). Leia o texto abaixo e responda.
Turismo
A única coisa que perturba harmonia do ambiente são os turistas. Alguns. Eles não viajam a fim de ver o mar, ouvir o vento, sentir a areia. Eles só querem mudar de cenário para fazer as coisas que fazem sempre. E, para eles, o som é essencial. A todo volume. Para que todos saibam que eles têm som. Nunca desembarcam de si mesmos. Por onde vão, sua presença é uma perturbação para o espírito. Fico a me perguntar: por que não gostam do silêncio? Acho que para eles, o silêncio é o mesmo que o vazio. E o vazio é sinal de pobreza. Nossa cultura provocou uma transformação perversa nos seres humanos, de forma que eles acreditam que, para estar bem, é preciso estar acoplados a objetos tecnológicos.
ALVES, Rubem. Turismo. In: Quarto de Badulaques. São Paulo: Parábola, 2003. p. 158. Fragmento.

No trecho “Nunca desembarcam de si mesmos.”, o autor usou a expressão destacada para ressaltar que os turistas têm dificuldade de
A) conviver em harmonia.
B) mudar os hábitos.
C) respeitar o lugar.
D) sentir a paisagem.
E) transformar as pessoas.

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(SAEPE). Leia o texto abaixo e responda.
Quanta pressa!
Como vc é apressada! Não lembra que eu disse antes de vc viajar que eu ia pra fazenda do meu avô? Quem mandou não dar notícias antes d’eu ir pra lá?!?!?!:-O
Vc sabia. Eu avisei. Vc não presta atenção no que eu falo?
Quando ficar mais calma eu tc mais, tá legal?
:-*
Mônica
PINA, Sandra. Entre e-mails e acontecimentos. São Paulo: Salesiana, 2006. Fragmento.

As reduções (vc, tc) e os emoticons (:-*), usados com frequência em e-mails, imprimem ao texto
A) agilidade.
B) clareza.
C) correção.
D) formalidade.
E) precisão.

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(SAEPE). Leia o texto abaixo e responda.
 cultura dos sebos
O administrador André Garcia tinha 26 anos quando abandonou uma promissora carreira na área de inteligência de mercado em operadoras de celular, no Rio. Estava farto do mundo corporativo. Na dúvida do rumo a seguir, buscou a vida acadêmica. Mas, ao procurar livros para um mestrado, notou uma lacuna no mercado que mudaria sua trajetória.
Garcia não achava os títulos que queria em bibliotecas e livrarias, perdia-se nos sebos e na falta de oferta de usados na internet. Veio então o estalo. Em um ano, lançou o Estante Virtual, portal de compra de livros usados, que completa quatro anos com 1.670 sebos, com 22 milhões de obras reunidas.
Aos 31 anos, Garcia comanda um negócio que vende 5 mil livros diários, em 300 mil buscas (12 buscas por segundo em horário de pico). Para ele, os sebos devem ser valorizados como agentes de democratização da leitura. “Elas têm de estimular a imaginação e a reflexão. Qualquer leitura não é leitura”, diz com autoridade conquistada pelo sucesso da iniciativa inédita de intermediação. Garcia diz ser um erro achar que só à escola cabe estimular a leitura. É desafio do país, afirma, fazê-la ser vista como prazer. O Estante Virtual quer provar que até uma iniciativa de negócio pode fazer a sua parte.
Língua Portuguesa, ano 4, nº 53, mar. 2010, p. 13. Fragmento.

No trecho “É desafio do país, afirma, fazê-la ser vista como prazer.” (ℓ. 25-26), o pronome destacado refere-se à palavra
A) democratização.
B) leitura.
C) imaginação.
D) reflexão.
E) escola.

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(SAEPE). Leia o texto abaixo e responda.
História deliciosa
Nada mais gostoso que cheirinho de pão quente de manhã! Muita gente pensa assim, em vários países, há milhares de anos. O pão foi o  primeiro alimento criado pelo homem, há cerca de
12 mil anos. Antes todos dependiam da caça e da pesca para comer.
Quando os antigos aprenderam a plantar trigo, deram um grande passo para se desenvolver e conquistar novas terras. Descobriram que os cereais eram fáceis de plantar, resistentes e permitiam fazer pão. No começo, os grãos eram moídos e misturados à água e a massa assada sobre cinzas. O resultado era um pão fi no e duro, torrado e meio sem gosto. Mas era só o começo de uma longa história.

PRIMEIRAS DELÍCIAS
Os antigos egípcios criaram o tipo de pão que conhecemos hoje. Um dia, esqueceram a massa no sol e ela fermentou. Eles assaram e perceberam que aquele fenômeno deixava o pão mais leve, cheio de furinhos e passaram a usar a massa fermentada. No Egito, o pão era tão importante que servia como pagamento para os trabalhadores. E os nobres também valorizavam esse alimento: na tumba de Ramsés III há desenhos em relevo com o formato de pães, doces e bolos.
No Brasil, os pães chegaram trazidos pelos portugueses na época da colonização e por muito tempo eram consumidos pelos ricos, pois o trigo era muito caro. As primeiras padarias só surgiram
por volta de 1950, tocadas por italianos e portugueses.
Recreio. São Paulo: Abril, n. 206, p. 18-19.

No trecho “As primeiras padarias só surgiram por volta de 1950, tocadas por italianos e portugueses.”, a palavra destacada adquire, no texto, o sentido de
A) aperfeiçoadas.
B) administradas.
C) contatadas.
D) orçadas.
E) tratadas.

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(SAEPE). Leia o texto abaixo e responda.
Sobre o milho
No Brasil, a venda do vegetal tem força principalmente no caso dos enlatados, que são utilizados, sobretudo, em saladas ou pizzas (cuidado com o sódio, inimigo do coração). Além disso, no entanto, as grandes empresas de distribuição oferecem o alimento na espiga, que é destinado à produção de curau ou pamonha, segundo o Centro Nacional de Pesquisa de Milho e Sorgo da Embrapa, órgão ligado ao governo federal.
Do ponto de vista nutricional, o milho é riquíssimo em cálcio, entre outros minerais. No contato com o fogo (pipoca), parte dos nutrientes são perdidos.
Outra função importante do milho à alimentação diária: dele, os produtores conseguem extrair a farinha de milho e fubá, utilizados para preparo de pratos típicos brasileiros. Ambos são ricos em amido e polissacarídeo que ajuda a fortalecer o sistema imunológico.
O ideal é que as substâncias encontradas no milho façam parte do cardápio, mesmo que seja de forma indireta, como na polenta ou na pamonha caseira.
Vida Natural e equilíbrio. Escala, número 19. p. 25.

No fragmento “Do ponto de vista nutricional, o milho é riquíssimo em cálcio, entre outros
minerais.” (. 11-12), o uso da palavra destacada
A) acrescenta dados sobre o real valor nutricional do milho.
B) enfatiza a opinião do autor em relação à ingestão do milho.
C) evidencia exagero quanto ao valor nutricional do milho.
D) reforça a ideia do elevado valor nutricional do milho.
E) sugere a indispensabilidade do milho nas refeições diárias.

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(SAEPE). Leia o texto abaixo e responda.
Vintage – Paulinho da Viola
Ontem, 1981
Eu aspirava a muitas coisas.
Eu temia viver à deriva.
Eu desfilava meu amor pela Portela.
Eu cantava carinhoso.
Eu escutava e não ligava.
Eu usava roupas da moda
Me alegrava uma roda de choro.
Eu pegava um violão e saía noite adentro.
Meu cavaquinho chorava quando
eu não tinha mais lágrimas.

Hoje, 2010
Eu aspiro ao essencial: uma boa saúde
Eu temo não poder navegar.
Eu desfilo meus sonhos possíveis.
Eu canto e males espanto.
Eu escuto e... “pode repetir, por favor?”
Eu uso, mas não abuso.
Me alegra um bom papo.
Eu pego o violão e procuro um cantinho.
Meu cavaquinho chora quando
surge uma melodia nova.

No trecho “Eu temia viver à deriva.”, a expressão destacada tem o sentido de viver sem
A) amor.
B) conforto.
C) ideal.
D) rumo.
E) valores.
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(SAEPE). Leia o texto abaixo e responda.
A nova minoria
É um grupo formado por poucos integrantes. Acredito que hoje estejam até em menor número do que a comunidade indígena, que se tornou minoria por força da dizimação de suas tribos. A minoria a que me refiro também está sendo exterminada do planeta, e pouca gente tem se dado conta. Me refiro aos sensatos.
A comunidade dos sensatos nunca se organizou formalmente. Seus antepassados acasalaram-se com insensatos, e geraram filhos e netos e bisnetos mistos, o que poderia ser considerada uma bem-vinda diversidade cultural, mas não resultou em grande coisa.
Os seres mistos seguiram procriando com outros insensatos, até que a insensatez passou a ser o gene dominante da raça. Restaram poucos sensatos puros.
Reconhecê-los não é difícil. Eles costumam ser objetivos em suas conversas, dizendo claramente o que pensam e baseando seus argumentos no raro e desprestigiado bom senso. Analisam as situações por mais de um ângulo antes de se posicionarem. Tomam decisões justas, mesmo que para isso tenham que ferir suscetibilidades.
MARTHA, Medeiros. In: Revista O Globo. 31 jan. 2010, p. 38.

No trecho “Reconhecê-los não é difícil.” (. 10), o pronome destacado se refere a
A) seus antepassados.
B) bisnetos mistos.
C) seres mistos.
D) outros insensatos.
E) sensatos puros.

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(SAEPE). Leia o texto abaixo e responda.
A Moreninha
Depois de respirar um momento, as meninas, julgando-se sós, começaram a conversar livremente, enquanto Augusto, com sua roupa embaixo do braço, coberto de teias de aranha e suores frios, comprimia a respiração e conservava-se mudo e quedo, medroso de que o mais pequeno ruído o pudesse descobrir; para seu mor infortúnio, a barra da cama era incompleta e havia seguramente dois palmos e meio de altura descobertos, por onde, se alguma moça olhasse, seria ele impreterivelmente visto. A posição do estudante era penosa, certamente; por último, saltou-lhe uma pulga à ponta do nariz, e, por mais que o infeliz a soprasse, a teimosa continuou a chuchá-lo com a mais descarada impunidade.
– Antes mil vezes cinco sabatinas seguidas, em tempo de barracas no Campo!... dizia ele consigo.
Mas as moças falam já há cinco minutos; façamos por colher algumas belezas, o que é, na verdade, um pouco difícil, pois, segundo o antigo costume, falam todas quatro ao mesmo tempo. Todavia. Alguma coisa se aproveitará.
MACEDO, Joaquim Manuel de. A MoreninhaRio de Janeiro: Record, 2000. p. 113.

No trecho “...por mais que o infeliz soprasse,...” (. 14), o pronome em destaque refere-se à
A) roupa.
B) aranha.
C) respiração.
D) pulga.

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(SAEPE). Leia o texto abaixo e responda.
Texto
Soneca sem culpa
Juliana Tiraboschi
Todos sabem que dormir bem ajuda a manter a saúde.
Mas o sono ainda é cercado de desconhecimentos e mitos, como o de que precisamos dormir 8 horas por dia. “Isso é mentira”, diz Marco Túlio de Mello, chefe da disciplina de Medicina e Biologia do sono do Departamento de Psicologia da Unifesp. “Acontece que a média da população precisa de sete horas e 40 minutos de sono para sentir-se bem, mas há os curtos dormidores, que necessitam de menos de seis horas e meia, e os longos, que requerem mais de 8 horas.”
A siesta é outro tema que desperta opiniões controversas.
Enquanto uns acham que cochilar depois do almoço é um merecido descanso, outros veem a prática com pouca tolerância. Mas cada vez mais estudos vêm demonstrando que a soneca traz benefícios físicos, como a recuperação do corpo, e mentais, como o aumento da concentração.
“Ela é ótima para quem vai trabalhar à tarde”, diz Mello. [...]
E se alguém falar pra você que cochilo é coisa de preguiçoso, diga que um estudo da Universidade de Harvard mostrou que sonecas diárias de 45 minutos são suficientes para turbinar a memória e o aprendizado. Não é um ótimo argumento?
GALILEU. São Paulo: Abril. set. 2008. n. 206. p. 26. Adapatado: Reforma Ortográfica
No Texto, no trecho “Isso é mentira”, a palavra destacada refere-se ao trecho
A) “precisamos dormir 8 horas por dia”.
B) “a siesta é outro tema controverso”.
C) “a soneca traz benefícios físicos”.
D) “cochilo é coisa de preguiçoso”.
E) “mas a maioria se beneficiaria”.

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(SAEPE). Leia o texto abaixo e responda.
A hora dos ruminantes
A noite chegava cedo em Manarairema. Mal o sol se afundava atrás da serra – quase que de repente, como caindo – já era hora de acender candeeiros, de recolher bezerros, de se enrolar em xales. A friagem até então continuada nos remansos do rio, em fundos de grotas, em porões escuros, ia se espalhando, entrando nas casas, cachorro de nariz suado farejando.
Manarairema, ao cair da noite – anúncios, prenúncios, bulícios. Trazidos pelo vento que bate pique nas esquinas, aqueles infalíveis latidos, choros de criança com dor de ouvido, com medo do escuro. Palpites de sapos em conferência, grilos afiando ferros, morcegos costurando a esmo, estendendo panos pretos, enfeitando o largo para alguma festa soturna.
Manarairema vai sofrer a noite. [...]
Não se podia mais sair de casa, os bois atravancavam as portas e não davam passagem, não podiam; não tinham para onde se mexer. Quando se abria uma janela não se conseguia mais fechá-la, não havia força que empurrasse para trás aquela massa elástica de chifres, cabeças e pescoços que vinha preencher o espaço.
Frequentemente surgiam brigas, e seus estremecimentos repercutiam longe, derrubavam paredes distantes e causavam novas brigas, até que os empurrões, chifradas, ancadas forçassem uma arrumação temporária. O boi que perdesse o equilíbrio e ajoelhasse nesses embates não conseguia mais se levantar, os outros o pisavam até matar, um de menos que fosse já folgava um pouco o aperto – mas só enquanto os empurrões vindos de longe não restabelecessem a angústia. [...]
VEIGA, José J. Disponível em: . Acesso em: 5 mar. 2012. Fragmento.

No trecho “... não se conseguia mais fechá-la, ...” (ℓ. 21-22), o termo destacado refere-se à
A) noite.
B) casa.
C) janela.
D) força.
E) massa.

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(SAEPE). Leia o texto abaixo e responda.
Pensamento positivo pode ajudar a combater doenças
[...] Já é bem aceito pela medicina que os pensamentos negativos e a ansiedade podem nos deixar mais susceptíveis a doenças. O estresse – que é útil em pequenas doses para preparar o corpo para a ação ou fuga – quando constante, aumenta os riscos de diabetes e até demência.
O que os pesquisadores estão descobrindo agora é que o pensamento positivo não só ajuda a combater o estresse, mas também têm efeitos positivos na saúde. Sentir-se seguro e acreditar que as coisas vão melhorar pode ajudar o corpo a se curar. Uma compilação de estudos publicada na revista de Medicina Psicossomática sugere que os benefícios do pensamento positivo acontecem independente do dano causado pelo estresse ou pessimismo. [...]
Disponível em:
+COMBATER+DOENCAS.html>. Acesso em: 8 set. 2011. Fragmento.

No trecho “... que é útil em pequenas doses...”, o pronome relativo em destaque refere-se à palavra
A) ansiedade.
B) estresse.
C) fuga.
D) pensamento.
E) pessimismo.

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(SAEPE). Leia o texto abaixo e responda.
Texto 1
Exóticos, pequenos e viciantes
Ao caminharmos pela cidade, nas alamedas e nas praças é frequente vermos pessoas falando ao celular, gente dirigindo com uma das mãos, pessoas apertando botões e até tirando fotos com seus aparelhos digitais. Até ouvimos os toques polifônicos diversifi cados e altos que se confundem com as buzinas e os sons urbanos mais comuns.
O que me chama a atenção são os tamanhos, os formatos e as múltiplas funções dessas coisas que também são úteis, quando não passam de meros badulaques teens.
Os celulares estão cada vez mais viciosos, uma coqueluche. Já fazendo analogia com a peste, os celulares estão se tornando uma febre, [...] bem como outros aparelhos pequenos, úteis e viciantes. [...] Tem gente que não vive sem o celular! Não fica sem aquela olhadinha, telefonema ou mensagem instantânea, uma mania mesmo.
Interessante, uma vez, um amigo meu jornalista disse que os celulares podem ser próteses. Bem como outro objeto, status ou droga podem ser próteses. Pode haver gente que não têm amigos, mas tem o melhor celular, o mais moderno, uma prótese para a vida.
Pode ser que haja gente que não seja feliz, mas tenha uma casa boa, o carro do ano, o poder, a fama e muito dinheiro, tem próteses.
Tudo que tenta substituir o natural, o simples da vida, será prótese de uma pessoa. Aqui, entendo natural como a busca da realização, da felicidade, do bem-estar que se constrói pela simplicidade, pelo prazer de viver. Viver incluído no mundo digital e moderno é legal, mas é preciso manter o senso crítico de que as coisas podem ser pequenas, úteis e viciantes. VIANA, Moisés.
Disponível em: . Acesso
em: 4 fev. 2012. Fragmento. *Adaptado: Reforma Ortográfi ca.

No Texto 1, no trecho “... é preciso manter o senso crítico de que as coisas podem ser pequenas, úteis e viciantes.” (ℓ. 37), a expressão destacada enfatiza
A) a importância dos celulares na vida moderna.
B) a inferioridade dos aparelhos celulares.
C) a tecnologia presente nos aparelhos celulares.
D) uma crítica ao uso do celular e seus malefícios.
E) uma relação entre o tamanho do celular e o vício.

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(SAEPE). Leia o texto abaixo e responda.





Disponível em: . Acesso em: 8 jan. 2012.

Nesse texto, as formas verbais “Tire” e “Fique” foram usadas para expressar
A) um alerta.
B) um desejo.
C) um pedido.
D) uma ordem.
E) uma súplica.

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(SAEPE). Leia o texto abaixo e responda.
Leitura: quem começa não para mais
Mundo Jovem: Qual a importância da leitura para os jovens?
Elisabeth Dangelo Serra: A leitura no mundo moderno é a habilidade intelectual mais importante a ser desenvolvida e cultivada por qualquer pessoa e de qualquer idade. Os jovens que não tiveram a oportunidade de descobrir os encantos e os poderes da leitura terão mais dificuldades para realizar seus projetos de vida do que aqueles que escolheram a leitura como companhia. Apesar dos atrativos atuais trazidos pelas novas tecnologias, hoje há um número expressivo de jovens que leem porque gostam e ao mesmo tempo são usuários da internet.
Aqueles que são leitores têm muito mais chances de usufruir da internet do que aqueles que não têm contato com a leitura de livros, jornais e revistas. Contudo é a leitura literária que alimenta a imaginação, a fantasia, criando as condições necessárias para pensar um projeto de vida com mais conhecimento sobre o mundo, sobre as coisas e sobre si mesmo.
Uma mensagem: nunca é tarde para começar a ler literatura. Portanto aqueles que não
trilharam esse caminho, e desejarem experimentar, vale a pena tentar.
Mundo Jovem: Como nos tornamos leitores, como desenvolvemos o gosto pela leitura?
Elisabeth Dangelo Serra: Só há uma maneira de nos tornarmos leitores: lendo. E essa atitude é cultural, ela não nasce conosco, tem que ser desenvolvida e sempre alimentada.
O entorno cultural em que a pessoa vive é determinante para que a habilidade de ler tenha chances de crescer. Ela é fruto do exemplo e das oportunidades de contato com a cultura letrada, em suas diversas formas. O exemplo e as oportunidades são criados por adultos que estão próximos às crianças e aos jovens.
Disponível em: . Acesso em: 15 abr. 2011. Fragmento.

No trecho “... tem que ser desenvolvida e sempre alimentada.” (ℓ. 34), a palavra destacada assume no contexto o sentido de
A) aperfeiçoada.
B) apreciada.
C) avaliada.
D) exercitada.
E) sustentada.

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(SAEPE). Leia o texto abaixo e responda.



Disponível em: . Acesso em: 9 out. 2012.

Nesse texto, no trecho “Dê uma voltinha de carro com o barbeiro”, a palavra destacada tem o sentido de
A) pessoa que coleciona carros.
B) pessoa que dirige mal.
C) pessoa que usa barba ou bigode.
D) profi ssional que trabalha com carros.
E) profi ssional que faz barba e cabelo.

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(SAEPE). Leia o texto abaixo e responda.
Antes e depois
O salão entornava luz pelas janelas. No sofá, bocejava a boa [...] D. Maria, digerindo sonolentamente o quilo do jantar. O seu digno consorte, o desembargador, apreciava o fresco da noite à janela, sugando com ruído a fumaça de um havana, com os olhos nos astros e as mãos nas algibeiras. Perto do piano, arrulavam à meia-voz Belmiro e Clara... Já se sabe: dois pombinhos...
O Belmiro estudava; tinha futuro, portanto; Clara... tocava e cantava...
II
– Belmiro, disse o desembargador, atirando à rua a ponta do charuto, manda Clara cantar...
– Cante, D. Clara, pediu Belmiro.
Clara cantou... Cantou mesmo? Não sei. Mas as notas entraram melífluas pelos ouvidos de Belmiro e foram cair-lhe como açúcar no paladar do coração...
– Esplêndido! Esplêndido! dizia ele, fazendo chegar a umidade do hálito à face rosada da meiga Clarinha...
O desembargador olhava outra vez para os astros...
III
Rola o tempo...
Numa casinha modesta de S. Cristóvão, mora o Dr. Belmiro com sua senhora D. Clara...
Os vizinhos dizem cousas... ih!
IV
– Como vais, Belmiro?
– Mal!
– Mal?... disseram-me que te casaste com a tua Clarinha...
– Sim! Sim!... mas, queres saber... de amor ninguém vive; é de feijões...
– Então...
– Devo até a roupa com que me cubro!...
– E o dote?
– Ah! Ah! Adeusinho...
V
É noite.
D. Clara está ao piano. Um vestido enxovalhado escorre-lhe da cintura abaixo, sem um enfeite. D. Clara está magra. No chão arrasta-se um pequenote de um ano, com uma camisolinha [...] amarrada em nós sobre o cóccix.
Clara toca; e não canta, porque tem os olhos vermelhos e inflamados...
O Dr. Belmiro vem da rua zangado.
– Não sei o que faz a senhora, gastando velas a atormentar-me!... Mande para o diabo as suas músicas e vá-se com elas!
POMPEIA, Raul. A comédia. São Paulo, n. 66, 21 maio 1931. Disponível em:
br/conteudo/raul_pompeia/antesedepois.htm>. Acesso em: 3 fev. 2012. Fragmento.

No trecho “... gastando velas a atormentar-me!” (ℓ. 51-52), o pronome destacado refere-se
A) à D. Clara.
B) à D. Maria.
C) ao desembargador.
D) ao Dr. Belmiro.
E) ao pequenote.

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(SAEPE). Leia o texto abaixo e responda.
Carta de Leitor
Enaltecer a habilidade literária de Lya Luft seria “chover no molhado”. Eu a acompanho sempre, pois creio que ela é detentora da qualidade de que almejo um dia chegar próximo, e de hoje coloco em crônicas num blog cujo foco são o otimismo e a esperança. Por esse motivo, o artigo de Lya tocou-me mais do que nunca, especialmente porque sempre se percebe nela a preocupação em desfazer a opinião de alguns que a qualificam como mal-humorada, ranzinza e saudosista. Lya, no meu modo de ver, é realista, perspicaz, observadora e analista da realidade. No presente artigo, nesse momento em que passamos a ver uma tênue luz no fim do túnel mundial, ela aponta e vislumbra a luminosidade sobre todos os entraves que impedem o brasileiro e o ser humano universal de viver com um mínimo de dignidade. Ainda é possível mudar.
Teodoro Uberreich
Veja, Ilha Bela, SP, 2 nov. 2011.

No Texto 2, o autor usou a expressão “‘chover no molhado’” (ℓ. 2) para expressar
A) admiração.
B) entusiasmo.
C) frustração.
D) ironia.
E) monotonia.

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(SAEPE). Leia o texto abaixo e responda.

A importância da leitura como identidade social
[...] Um dos nossos objetivos é incentivar a leitura de textos escritos, não apenas daqueles legitimados pelos acadêmicos como “boa leitura”, mas os escolhidos livremente. Pela análise dos números da última Bienal do Livro realizada em São Paulo, constata-se que “ler não é problema”, pois, segundo o Correio Braziliense de 25 de agosto de 2010, cerca de 740 mil pessoas visitaram os stands que apresentaram mais de 2.200.000 títulos. Mas, perguntamo-nos: os livros expostos e os leitores que lá compareceram se encaixam em qual tipo de leitor? Podemos afirmar que todos os livros foram escritos para um leitor ideal, reflexivo, que dialogará com os textos?
Muitos livros vendidos na Bienal têm como foco a primeira e a segunda visão de leitura, seus autores enxergam o texto como um fim em si mesmo, apresentando ideias prontas, ou primando pelo seu trabalho como um objeto de arte, em que o domínio da língua é a base para a leitura.
Assim, cabe-nos refletir inicialmente sobre como transformar um leitor comum em leitor ideal, um cidadão pleno em relação a sua identidade. A construção da identidade social é um fenômeno que se produz em referência aos outros, a aceitabilidade que temos e a credibilidade que conquistamos por meio da negociação direta com as pessoas. A leitura é a ferramenta que assegurará não apenas a constituição da identidade, como também tornará esse processo contínuo.
Para tornar isso factível podemos, como educadores, adotar estratégias de incentivo, apoiando-nos em textos como as tirinhas e as histórias em quadrinhos, até chegar a leituras mais complexas, como um romance de Saramago, Machado de Assis ou textos científicos. Construir em sala de aula relações intertextuais entre gêneros e autores também é uma estratégia válida.
A família também tem papel importante no incentivo à leitura, mas como incentivar filhos a ler, se os pais não são leitores? Cabe à família não apenas tornar a leitura acessível, mas pensar no ato de ler como um processo. Discutimos à mesa questões políticas, a trama da novela, por que não trazermos para nosso cotidiano discussões sobre os livros que lemos?
KOCH, Ingedore Villaça; ELIAS, Vanda Maria. Disponível em:
artigo235676-1.asp>. Acesso em: 13 nov. 2011. Fragmento.

Nesse texto, no trecho “a aceitabilidade que temos e a credibilidade” (ℓ. 15-16), o pronome destacado refere-se à palavra
A) aceitabilidade.
B) credibilidade.
C) identidade.
D) leitura.
E) negociação.

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(SAEPE). Leia o texto abaixo e responda.
Cafezinho
Leio a reclamação de um repórter irritado que precisava falar com um delegado e lhe disseram que o homem havia ido tomar um cafezinho. Ele esperou longamente, e chegou à conclusão de que o funcionário passou o dia inteiro tomando café.
Tinha razão o rapaz de ficar zangado. [...]
A vida é triste e complicada. Diariamente é preciso falar com um número excessivo de pessoas.
O remédio é ir tomar um “cafezinho”. Para quem espera nervosamente, esse “cafezinho” é qualquer coisa infinita e torturante. Depois de esperar duas ou três horas dá vontade de dizer:
– Bem cavalheiro, eu me retiro. Naturalmente o Sr. Bonifácio morreu afogado no cafezinho.
Ah, sim, mergulhemos de corpo e alma no cafezinho. Sim, deixemos em todos os lugares este recado simples e vago: – Ele saiu para tomar um café e disse que volta já.
Quando a bem-amada vier com seus olhos tristes e perguntar: – Ele está? – alguém dará o nosso recado sem endereço. Quando vier o amigo e quando vier o credor, e quando vier o parente, e quando vier a tristeza, e quando a morte vier, o recado será o mesmo: – Ele disse que ia tomar um cafezinho...
Podemos, ainda, deixar o chapéu. Devemos até comprar um chapéu especialmente para deixá-lo. Assim dirão: – Ele foi tomar um café. Com certeza volta logo. O chapéu dele está aí...
Ah! Fujamos assim, sem drama, sem tristeza, fujamos assim. A vida é complicada demais.
Gastamos muito pensamento, muito sentimento, muita palavra. O melhor é não estar.
Quando vier a grande hora de nosso destino nós teremos saído há uns cinco minutos para tomar um café. Vamos, vamos tomar um cafezinho.
BRAGA, Rubem. Disponível em: .
Acesso em: 17 fev. 2012.

1) O trecho “... lhe disseram que o homem havia ido tomar um cafezinho.” (ℓ. 3-4), o pronome destacado refere-se ao
A) repórter.
B) delegado.
C) amigo.
D) credor.
E) parente.

2) Nesse texto, a expressão “... mergulhemos de corpo e alma no cafezinho.” (ℓ. 18-19) foi usada para
A) colocar em destaque os benefícios oferecidos pelo café.
B) demonstrar o sentimentalismo do autor.
C) destacar a importância do café na vida das pessoas.
D) fazer referência a elementos religiosos.
E) intensificar a ideia do cafezinho como fuga dos problemas.

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(SAEPE). Leia o texto abaixo e responda.

Educação ambiental: uma alternativa?
A educação ambiental é uma alternativa que parece não ter efeito. Isso acontece porque muita gente entende educação ambiental como verdismo, simplesmente passear em parques, visitar animais, promover e/ou participar de campanhas de separação de lixo. Mas isso é muito superficial. Isso é uma forma de separar a natureza em sua dimensão natural da sua dimensão interna. É como separar o mundo externo do mundo da sua própria casa, ou da instituição da escola. Então, educação ambiental é ressensibilização, tomada de consciência existencial, de como podem ser criados modos de ser, modos de vida, onde o cultivo das emoções positivas, dos valores, da vida simples, do que a nossa tradição herdou.
Essas tradições eram sustentáveis em termos de alimentação, de medicação natural. Por exemplo, o que os índios nos legaram. Só que tomamos um rumo chamado progresso que nos levou a essa situação de crise.
Disponível em: . Acesso em: 22 dez. 2011. Fragmento.

No trecho “... isso é muito superficial.” (ℓ. 4), o pronome destacado retoma o trecho:
A) “... uma alternativa que parece não ter efeito.” (ℓ. 1-2)
B) “... entende educação ambiental como verdismo,...” (ℓ. 3-4)
C) “... separar a natureza em sua dimensão natural...” (ℓ. 7-8)
D) “... separar o mundo externo do mundo da sua própria casa,...” (ℓ. 9-10)
E) “... cultivo das emoções positivas, dos valores, da vida simples,...” (ℓ. 14-15)

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(SAEPE). Leia o texto abaixo e responda.
Ainda mais uma vez – Adeus!
I
Enfim te vejo! – enfim posso,
Curvado a teus pés, dizer-te
Que não cessei de querer-te,
Pesar de quanto sofri.
Muito penei! Cruas ânsias
Dos teus olhos afastado
Houveram-me acabrunhado,
A não lembrar-me de ti!

II
Dum mundo a outro impelido,
Derramei os meus lamentos
Nas surdas asas dos ventos,
Do mar na crespa cerviz!
Baldão, ludibrio da sorte
Em terra estranha, entre gente,
Que alheios males não sente,
Não se condói do infeliz! [...]

XVI
Adeus qu’eu parto, senhora:
Negou-me o fado inimigo
Passar a vida contigo,
Ter sepultura entre os meus;
Negou-me nessa hora extrema,
Por extrema despedida,
Ouvir-te a voz comovida
Soluçar um breve Adeus!

XVII
Lerás porém algum dia
Meus versos d’alma arrancados,
D’amargo pranto banhados,
Com sangue escritos; – e então
Confio que te comovas,
Que a minha dor te apiade,
Que chores, não de saudade,
Nem de amor; – de compaixão.
DIAS, Gonçalves. Poesia. IN. BOSI, Alfredo. História Concisa da Literatura Brasileira. 2 ed. São Paulo: Cultrix, 1967. Fragmento.

Nesse texto, infere-se que a palavra “fado” (v. 18), significa
A) canção.
B) destino.
C) problemas.
D) separação.
E) sorte.

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(SAEPE). Leia o texto abaixo e responda.

Pneumotórax
Febre, hemoptise, dispneia e suores noturnos.
A vida inteira que podia ter sido e que não foi:
tosse, tosse, tosse.
Mandou chamar o médico:
Diga trinta e três.
Trinta e três, Trinta e três... Trinta e três.
Respire.
.................................
O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado.
Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?
− Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.
BANDEIRA, Manuel. Estrela da vida inteira. 5. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1974. *Adaptado: Reforma Ortográfica.

Nesse texto, o trecho “A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.” (v. 12) sugere
A) compaixão.
B) desprezo.
C) exagero.
D) ironia.
E) musicalidade.

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(SAEPE). Leia o texto abaixo e responda.
A melhor amiga do homem
Diogo Schelp

Devemos muito à vaca. Mas há quem a veja como inimiga. A vaca, aqui referida como a parte pelo todo bovino, é acusada de contribuir para a degradação do ambiente e para o aquecimento global. Cientistas atribuem ao 1,4 bilhão de cabeças de gado existentes no mundo quase metade das emissões de metano, um dos gases causadores do efeito estufa. Acusam-se as chifrudas de beber água demais e ocupar um espaço precioso para a agricultura.
O truísmo inconveniente é que homem e vaca são unha e carne. [...] Imaginar o mundo sem vacas é como desejar um planeta livre dos homens – uma ideia, aliás, vista com simpatia por ambientalistas menos esperançosos quanto à nossa espécie. “Alterar radicalmente o papel dos bovinos no nosso cotidiano, subtraindo-lhes a importância econômica, pode levá-los à extinção e colocar em jogo um recurso que está na base da construção da humanidade e, por que não, de seu futuro”, diz o veterinário José Fernando Garcia, da Universidade Estadual Paulista em Araçatuba. [...]
A vaca tem um papel econômico crucial até onde é considerada animal sagrado. Na Índia, metade da energia doméstica vem da queima de esterco. O líder indiano Mahatma Gandhi (1869-1948), que, como todo hindu, não comia carne bovina, escreveu: “A mãe vaca, depois de morta, é tão útil quanto viva”. Nos Estados Unidos, as bases da superpotência foram estabelecidas quando a conquista do Oeste foi dada por encerrada, em 1890, fazendo surgir nas Grandes Planícies americanas o maior rebanho bovino do mundo de então. “Esse estoque permitiu que a carne se tornasse, no século seguinte, uma fonte de proteína para as massas, principalmente na forma de hambúrguer”, escreveu Florian Werner. [...] Comer um bom bife é uma aspiração natural e cultural. Ou seja, nem que a vaca tussa a humanidade deixará de ser onívora.
Revista Veja. p. 90-91, 17 jun. 2009. Fragmento.


No trecho, “Ou seja, nem que a vaca tussa a humanidade deixará de ser onívora.”
(. 22-23), a expressão destacada tem o sentido de um fato
A) absurdo.
B) admissível.
C) estimado.
D) impossível.
E) possível.

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(SAEPE). Leia o texto abaixo.
Deus sabe o que faz!

A ilustre dama, ao fim de dois meses, achou-se a mais desgraçada das mulheres; caiu em profunda melancolia, ficou amarela, magra, comia pouco e suspirava a cada canto. Não ousava fazer-lhe nenhuma queixa ou reprove, porque respeitava nele o seu marido e senhor, mas padecia calada, e definhava a olhos vistos. Um dia, ao jantar, como lhe perguntasse o marido o que é que tinha, respondeu tristemente que nada; depois atreveu-se um pouco, e foi ao ponto de dizer que se considerava tão viúva como dantes.
E acrescentou:
– Quem diria nunca que meia dúzia de lunáticos...
Não acabou a frase; ou antes, acabou-a levantando os olhos ao teto – os olhos, que eram a sua feição mais insinuante – negros, grandes, lavados de uma luz úmida, como os da aurora. Quanto ao gesto, era o mesmo que empregara no dia em que Simão Bacamarte a pediu em casamento. [...]
– Consinto que vás dar um passeio ao Rio de Janeiro.
D. Evarista sentiu faltar-lhe o chão debaixo dos pés. [...] Ver o Rio de Janeiro, para ela, equivalia ao sonho do hebreu cativo. [...]
– Oh! Mas o dinheiro que será preciso gastar! Suspirou D. Evarista sem convicção.
– Que importa? Temos ganho muito, disse o marido. Ainda ontem o escriturário prestou-me contas. Queres ver?
E levou-a aos livros. D. Evarista ficou deslumbrada. Era um via-láctea de algarismos.
E depois levou-a às arcas, onde estava o dinheiro. Deus! Eram montes de ouro, eram mil cruzados sobre mil cruzados, dobrões sobre dobrões; era a opulência. Enquanto ela comia o ouro com os seus olhos negros, o alienista* fi tava-a, e dizia-lhe ao ouvido com a mais pérfi da das alusões:
– Quem diria que meia dúzia de lunáticos...
* médico especialista em doenças mentais.
ASSIS, Machado. Papéis avulsos. São Paulo: Escala educacional, 2008. Fragmento.

A expressão “comia o ouro com os seus olhos negros...” (. 22) pode ser compreendida como um olhar
A) ambicioso.
B) desconfiado.
C) desconfortável.
D) interessado.
E) melancólico.

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